A Contratação Mais Valiosa que Você Não Está Fazendo

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Thiago Victorino
6 min de leitura
A Contratação Mais Valiosa que Você Não Está Fazendo
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Jason Lemkin fez uma pergunta simples no SaaStr esta semana: “Que ferramenta de IA comercial com ROI real você trouxe para sua organização nos últimos 30 dias?”

Entre gestores de startups acima de US$ 100 milhões de receita, talvez 30% conseguem responder. Em entrevistas gerais, dígitos únicos. A pergunta não é difícil. A resposta é que quase ninguém está fazendo esse trabalho.

A Terceira Era Chegou Sem Manual

Lemkin descreve três eras da IA nas empresas. A primeira exigia cientistas de dados. A segunda, engenheiros de prompt. A terceira, que estamos vivendo agora, é a era generalista: não-técnicos conseguem implantar agentes comerciais, configurá-los e colocá-los para funcionar.

Isso parece democratização. Na prática, é um vácuo de responsabilidade.

Quando qualquer pessoa pode implantar um agente, ninguém é responsável por verificar se ele funciona direito, se foi treinado com dados corretos, se está gerando valor mensurável. A barreira de entrada caiu. A barreira de qualidade evaporou junto.

O Caso da Empresa de US$ 6 Bilhões

Lemkin citou um exemplo que deveria tirar o sono de qualquer executivo. Uma empresa de US$ 6 bilhões implantou um agente de vendas que ficou cotando preços incorretos. Por um ano.

Doze meses de propostas erradas. Ninguém percebeu.

O agente não falhou em termos técnicos. Ele funcionava perfeitamente: recebia inputs, processava, entregava cotações. As cotações estavam erradas. Mas ninguém tinha a responsabilidade de verificar se o output do agente correspondia à realidade do negócio.

Isso não é um problema de tecnologia. É uma falha de governança pura. O agente foi implantado sem critérios de validação, sem monitoramento de acurácia, sem um ser humano cujo trabalho fosse perguntar “esses números estão certos?”

Como exploramos em A Governança da Adoção de IA, forçar adoção sem estrutura de verificação cria conformidade, não competência. O caso da empresa de US$ 6 bilhões é a versão empresarial do mesmo fenômeno: deploy sem governança.

O Papel que Não Existe (Ainda)

Lemkin chama de “agentic deployment expert.” O nome importa menos que a função. Essa pessoa faz quatro coisas:

Identifica onde agentes comerciais podem gerar valor real. Não valor teórico, não casos de uso bonitos para apresentações. Valor que aparece no balanço.

Implanta com critérios de sucesso definidos antes do deploy. Qual métrica precisa melhorar? Em quanto? Em que prazo?

Treina os agentes com dados do negócio, e treina as equipes para trabalhar com eles. Deploy sem treinamento é como contratar um funcionário e nunca fazer onboarding.

Mede resultados continuamente. Não uma vez, no lançamento. Toda semana. Todo mês. Com números, não com impressões.

O ponto central: isso não é engenharia. Não exige saber programar. Exige entender o negócio, saber definir métricas e ter disciplina operacional para acompanhar resultados.

Por que “Prompt Engineer” Morreu

A função de prompt engineer fez sentido por dezoito meses. Quando os modelos eram frágeis e sensíveis à formulação, saber construir prompts era uma habilidade rara e valiosa. Os modelos melhoraram. A habilidade se commoditizou.

“Go-to-market engineer” seguiu trajetória semelhante. Útil por um ciclo, absorvido pelas funções existentes no seguinte.

O especialista em deploy de agentes é diferente porque o problema que ele resolve não vai desaparecer com modelos melhores. Modelos melhores geram agentes mais capazes. Agentes mais capazes sem supervisão geram erros maiores. A necessidade de governança escala junto com a capacidade.

Como discutimos em Times de Agentes: Quando o Modelo Operacional Muda, o trabalho está migrando de execução para supervisão de sistemas autônomos. O especialista em deploy é a primeira manifestação concreta desse novo modelo operacional nas áreas de negócio.

O CRO que Quase Chorou

Lemkin descreveu uma conversa com um CRO que, segundo ele, “quase chorou” ao perceber o que estava fazendo. A empresa contratava centenas de vendedores novos sem parar para perguntar: o que conseguiríamos fazer com uma fração desse headcount e um agente de BDR bem treinado?

A resposta, claro, é “muito mais.” Mas a pergunta nunca foi feita porque ninguém na organização tinha o papel de fazê-la.

Esse é o custo invisível da ausência do especialista em deploy. Não são apenas os agentes mal treinados gerando cotações erradas. São as oportunidades que nunca são identificadas porque ninguém tem a responsabilidade de procurá-las.

O Teste dos 30 Dias

Se você lidera uma equipe, faça o exercício de Lemkin. Pergunte a cada gestor: “Que agente de IA comercial com ROI demonstrável você implantou nos últimos 30 dias?”

Se a resposta for silêncio, você tem duas opções. Aceitar que sua organização está operando na segunda era enquanto o mercado se move para a terceira. Ou criar o papel que faz a ponte.

O título pode ser qualquer um. Especialista em deploy. Gerente de operações de IA. Coordenador de agentes. O nome não importa. O que importa é a descrição do cargo: alguém cuja responsabilidade primária é garantir que agentes de IA comerciais sejam identificados, implantados, treinados e medidos.

Não é um papel de tecnologia. É um papel de governança operacional. E é, provavelmente, a contratação mais valiosa que você não está fazendo.


Fontes

  • Jason Lemkin / SaaStr. “The Most Important Hire in AI You Haven’t Made.” Março 2026.

O Victorino Group ajuda organizações a estruturar a governança de suas operações com IA: contato@victorino.com.br | www.victorino.com.br

Todos os artigos do The Thinking Wire são escritos com o auxílio do modelo LLM Opus da Anthropic. Cada publicação passa por pesquisa multi-agente para verificar fatos e identificar contradições, seguida de revisão e aprovação humana antes da publicação. Se você encontrar alguma informação imprecisa ou deseja entrar em contato com o editorial, escreva para editorial@victorino.com.br . Sobre o The Thinking Wire →

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