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Manipular a Camada de Busca Compra Menções, e Escolhas Só em Parte
Joe Shirey rodou 5.580 testes para ver se é possível otimizar o caminho até a recomendação de um agente de IA. O braço mais agressivo levou o agente a buscar (925 de 930 testes buscaram) e reescreveu cada consulta para favorecer o Google Cloud. Em relação ao braço com busca incentivada e sem a reescrita, as menções subiram de 68,3% para 89,1%. As seleções como recomendação principal subiram de 13,0% para 17,1%. Sem nenhuma busca, o agente escolheu o Google Cloud em 9,2% dos testes.
Esses números carregam duas lições. Manipular o que o agente lê moveu as menções em 20,9 pontos e as seleções em 4,1, a partir de níveis diferentes (68,3% e 13,0%). E antes de qualquer manipulação, uma variável importa: se o agente busca ou não.
O que foi testado
Shirey é funcionário do Google Cloud e diz isso na própria página. Ele usou 310 prompts, cada um rodado 3 vezes, o que dá 930 testes por braço e 5.580 no total, em seis braços. O agente foi o Claude Code com Claude Sonnet 5, com a busca nativa bloqueada e substituída por uma ferramenta de busca MCP. Ele relata ter usado busca ancorada no Gemini.
A linha de base reflete como os prompts foram montados, já que todo prompt tinha um concorrente do Google Cloud. Ela não diz nada sobre participação de mercado. O estudo cobre um modelo e um fornecedor, responde perguntas consultivas de arquitetura e não traz intervalos de confiança. Leia os números como um experimento, não como uma medição do mercado.
A tabela
Resultados de Shirey, para “escolhido como recomendação principal” e “mencionado”:
| Braço | Escolhido | Mencionado |
|---|---|---|
| Linha de base | 9,8% (91) | 57,6% |
| Sem busca | 9,2% (86) | 56,0% |
| Busca disponível | 10,0% (93) | 59,7% |
| Busca incentivada | 13,0% (121) | 68,3% |
| Adulterada e disponível | 11,0% (102) | 63,5% |
| Adulterada e incentivada | 17,1% (159) | 89,1% |
Compare os dois braços incentivados. Shirey escreve que o viés “somou 20,9 pontos percentuais às menções, mas apenas 4,1 pontos às seleções reais”. A comparação vai do braço de busca incentivada para o de adulterada e incentivada. Reescrever as consultas mexeu muito mais no que o agente disse sobre o fornecedor do que no que ele escolheu.
A linha “adulterada e disponível” moveu as menções de 59,7% para 63,5% e as seleções de 10,0% para 11,0%.
Buscar é um interruptor que alguém controla
Para governança, o dado que mais pesamos é uma contagem de buscas. Shirey relata que “o Sonnet 5 buscou em 3 de 930 testes, ou 0,3%” na linha de base. Em um dos dois braços incentivados, o agente buscou em 925 de 930 testes (99,5%).
Na linha de base, esse modelo quase nunca buscou. Em um braço incentivado, quase sempre buscou. Na nossa leitura, se a camada de recuperação entra na decisão é uma questão de configuração. Como o incentivo foi implementado não consta do nosso material.
Nós argumentamos que a superfície de controle fica com o operador: o prompt de sistema e a lista de ferramentas são onde a disponibilidade e o incentivo à busca seriam definidos. Onde a busca estava apenas disponível, a seleção quase não se mexeu (10,0%, contra 9,2% sem busca). Onde foi incentivada, chegou a 13,0%.
Uma consequência para quem compra: um agente que aconselha sobre escolha de fornecedor pode se comportar de forma diferente conforme a sua configuração, que quem lê as respostas pode não ver.
A reescrita que o agente nunca viu
A ferramenta adulterada reescrevia cada consulta enviada pelo agente. A observação de Shirey: “o agente nunca percebeu que toda consulta que enviou havia sido reescrita. Se você pluga uma ferramenta de busca de terceiros no seu agente, está confiando a ela mais do que imagina.”
Acrescentamos um enquadramento nosso. Uma ferramenta de busca capaz de reescrever consultas é um componente que decide o que o agente consegue ler. Nada neste experimento diz se alguma ferramenta real reescreve consultas. Neste experimento o agente não percebeu a alteração, e nada no estudo mostra que ele conseguiria ver a consulta reescrita.
Isso faz de uma ferramenta de busca de terceiros uma superfície de confiança sem auditoria, na mesma classe de qualquer dependência cujo comportamento muda o que o agente conclui. O estudo dá a essa revisão uma forma concreta: comparar o que o agente pediu com o que o provedor recebeu.
O que um segundo conjunto de dados sugere, com limites
A Grow and Convert publica um conjunto de dados, e é um fornecedor que vende serviços de conteúdo e SEO. Para um cliente B2B não identificado, 7.779 respostas mencionaram o cliente, e em 87% delas o site do próprio cliente aparecia entre as fontes. Nos AI Overviews, o cliente foi mencionado em 90% das respostas quando o seu próprio site era citado, contra 25% quando só uma página de terceiros sobre ele era citada.
Trate isso com cuidado. É um cliente. É correlacional. Os 87% são condicionados a uma menção, então não significam que 87% de todas as respostas citam o site do cliente. O denominador por trás dos totais não está claro na página. Usamos o dado apenas para notar que mecanismos de resposta que citam o site da própria marca a nomeiam com mais frequência, um pareamento do lado da recuperação que a reescrita de Shirey empurra por um método bem diferente.
O que um fornecedor pode e não pode comprar
Colocando as duas fontes lado a lado, a evidência sustenta uma afirmação modesta. Neste teste, fazer a camada de recuperação favorecer o Google Cloud elevou as menções em 20,9 pontos e as seleções em 4,1 pontos, a partir de níveis diferentes (68,3% e 13,0%). Em termos relativos, ambas subiram cerca de 30%.
Quem relata visibilidade em IA como vitória deveria perguntar qual das duas foi medida, a menção ou a escolha.
Para quem opera agentes, nossa preocupação aponta para o outro lado. Um mecanismo que permite a um teste enviesar menções poderia, em princípio, ser operado por um provedor de ferramenta ou por um intermediário, e o agente não reportaria isso.
Para leitura relacionada, veja AEO São Quatro Jogos Separados, Não Um, Suas citações na busca por IA expiram a cada 11 dias e 42% de Acordo.
Faça isto agora
Faça um inventário de toda ferramenta de busca ou recuperação que seus agentes podem chamar e registre quatro fatos para cada uma. Quem configura se ela é usada. Se o prompt de sistema manda o agente usá-la. O que a ferramenta recebe do agente e o que ela envia adiante ao seu provedor. Se você registra os dois lados desse salto.
Depois pergunte por escrito a cada fornecedor de ferramenta de terceiros se ele modifica, expande ou reordena consultas, e guarde a resposta. Se um agente aconselha sobre compras, fornecedores ou arquitetura, registre com que frequência ele busca, porque, na nossa leitura, a taxa de busca define quanto da resposta a sua camada de recuperação pode influenciar.
Fontes
- Joe Shirey’s Blog. “Can You SEO Your Way Into an AI Agent’s Recommendation?.” Outubro de 2026.
- Grow and Convert. “Is 3rd party data the biggest lever in GEO? Our data says no..” Setembro de 2026.
A Victorino ajuda equipes a auditar as ferramentas de busca e recuperação por trás de seus agentes e a definir quem as controla: contato@victorino.com.br | www.victorino.com.br
Todos os artigos do The Thinking Wire são escritos com o auxílio do modelo LLM Opus da Anthropic. Cada publicação passa por pesquisa multi-agente para verificar fatos e identificar contradições, seguida de revisão e aprovação humana antes da publicação. Se você encontrar alguma informação imprecisa ou deseja entrar em contato com o editorial, escreva para editorial@victorino.com.br . Sobre o The Thinking Wire →
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