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A Publicidade Descobriu Governança de IA. Dois Anos Depois.
Uma mesa-redonda da Campaign Asia reuniu especialistas de mídia digital para discutir anúncios em LLMs. O tema declarado era mensuração e brand safety. O tema real era outro.
Pela primeira vez, executivos de publicidade estão usando a linguagem da governança de agentes.
Anudit Vikram, CPO da Channel Factory, disse algo que poderia ter saído de uma conversa sobre infraestrutura de engenharia: “O trabalho técnico real não é a camada de protocolo. É definir uma camada de política e decisão que determina o que o agente pode fazer.” Richard Raddon, co-CEO da Zefr, completou: IA responsável tem que ser uma preocupação do profissional de marketing.
Duas frases que seriam normais em uma conferência de engenharia de software. Em uma mesa-redonda de publicidade, são sinal de mudança estrutural.
O atraso é mensurável
Equipes de engenharia começaram a formalizar governança de agentes em 2024. Guardrails, frameworks de avaliação, protocolos de escalação. Dois anos de construção iterativa que produziram vocabulário, ferramentas e práticas operacionais.
A indústria publicitária está no ponto zero dessa curva. Os profissionais de marketing sabem que algo mudou, mas ainda não construíram o aparato para lidar com a mudança. Vikram pediu “visibilidade sobre a lógica de decisão” e “supressão de monetização em categorias sensíveis.” Requisitos que a engenharia já trata como primitivas operacionais.
O problema do atraso não é conceitual. É prático. Enquanto equipes de marketing constroem suas primeiras políticas de governança, os agentes que precisam ser governados já estão em produção.
Agentes de marketing já operam em escala
Meta Advantage+ decide qual criativo mostrar para qual audiência, ajusta lances em tempo real e realoca orçamento entre canais sem intervenção humana. Google Performance Max faz o mesmo. Os dois sistemas gerenciam bilhões de dólares em investimento publicitário com autonomia crescente.
Esses não são protótipos. São sistemas agênticos em produção que tomam decisões de marca a cada milissegundo. Quando o Advantage+ escolhe mostrar um anúncio ao lado de conteúdo que contradiz os valores da marca, quem responde? Quando o Performance Max aloca orçamento para um canal que o CMO não aprovaria, qual é o protocolo de correção?
A resposta hoje, na maioria das organizações: não existe protocolo.
O ChatGPT expõe a fragilidade
A OpenAI lançou anúncios no ChatGPT com a Criteo como parceira de tecnologia, mínimo de US$ 200 mil por piloto. Os primeiros dados são reveladores. CTR de 0,91%, contra 6,4% do Google Search no mesmo setor. Uma marca gastou apenas 3% de um orçamento de US$ 250 mil após semanas de campanha. Um bug no Ad Manager da OpenAI impedia anunciantes de visualizar seus próprios dados de performance.
Esses números importam menos pela performance do que pelo contexto. Anúncios dentro de LLMs operam em um ambiente onde a unidade monetizável não é a página ou a impressão. É a intenção, a tarefa, o momento de decisão dentro de uma conversa. Vikram apontou exatamente isso: “A monetização opera dentro da mesma interface que interpreta e ranqueia intenção.”
Brand safety em busca tradicional significa controlar adjacência de conteúdo. Brand safety em LLMs significa controlar o que um agente faz com a intenção do usuário enquanto simultaneamente monetiza essa intenção. São problemas de natureza diferente.
Governança não se transfere automaticamente entre domínios
Como exploramos em Marketing Agent Governance: What Klaviyo’s Composer Reveals, a Klaviyo já incorporou controles de governança ao seu agente autônomo de marketing. “Agent Guidance” define o que o agente pode decidir sozinho e onde precisa de aprovação humana.
A tentação é olhar para esse exemplo e para a mesa-redonda da Campaign Asia como sinais de que a indústria está acordando. Está. Porém, acordar não é o mesmo que estar pronta.
A engenharia de software não chegou a práticas maduras de governança por insight coletivo. Chegou por incidentes. Deploys que derrubaram produção. Agentes que deletaram ambientes inteiros. Treze horas de indisponibilidade na Amazon porque um agente recriou um ambiente do zero em vez de modificá-lo.
A publicidade vai seguir o mesmo caminho. A diferença é que um deploy ruim pode ser revertido. Uma campanha que atingiu um milhão de caixas de entrada, não.
O que falta construir
A conversa na Campaign Asia identificou os problemas corretos. Transparência, explicabilidade, supressão em categorias sensíveis, labeling de conteúdo patrocinado. São requisitos legítimos.
Falta a camada operacional. Quem define as políticas? Com que frequência são revisadas? Como se audita a decisão de um agente depois que a campanha rodou? Qual é a cadeia de escalação quando o agente encontra um cenário ambíguo?
Na engenharia, essas perguntas têm respostas consolidadas: runbooks, níveis de severidade, rotações de plantão, post-mortems. O marketing não tem equivalente. Construir essa disciplina operacional levou a engenharia dois anos. A publicidade não tem dois anos de margem. Os agentes já estão comprando mídia, selecionando criativos e decidindo quem vê o quê.
A questão para líderes de marketing não é se precisam de governança. Vikram e Raddon deixaram isso claro. A questão é se vão construí-la antes ou depois do primeiro incidente que não podem reverter.
Fontes
- Campaign Asia. “LLM Ads Raise Concerns: Experts Discuss Measurement and Brand Safety Risks.” Março 2026.
- Campaign Asia. “Still Finding Its Feet: Underwhelming Early Returns for ChatGPT Ads.” Março 2026.
- Criteo. “Criteo Joins OpenAI Advertising Pilot in ChatGPT.” Março 2026.
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Todos os artigos do The Thinking Wire são escritos com o auxílio do modelo LLM Opus da Anthropic. Cada publicação passa por pesquisa multi-agente para verificar fatos e identificar contradições, seguida de revisão e aprovação humana antes da publicação. Se você encontrar alguma informação imprecisa ou deseja entrar em contato com o editorial, escreva para editorial@victorino.com.br . Sobre o The Thinking Wire →
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