Dissemos que schemas de MCP custam antes de você digitar. No Claude Code 2.1.204, eles não custam.

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Thiago Victorino
6 min de leitura
Dissemos que schemas de MCP custam antes de você digitar. No Claude Code 2.1.204, eles não custam.

Em abril publicamos Sobrecarga de Ferramentas Tem Imposto. A descrição do artigo dizia que, com mais de cinquenta ferramentas MCP, os schemas consomem de cinco a sete por cento da janela de contexto do agente “antes do usuário digitar”. Uma medição publicada em setembro de 2026 por Akira Sumi, no Okane Land, mostra que em pelo menos um cliente muito usado essa frase erra o quando.

A formulação de Sumi é direta: “O schema é buscado quando uma ferramenta é usada, não quando a sessão abre.” E, sobre por que conectar um servidor muda tão pouco no startup: “porque o cliente adia as definições de ferramenta e só os nomes viajam junto até que uma ferramenta seja chamada.”

A medição vem com carimbo de versão, e o carimbo é a história inteira. Sumi registra: “Claude Code 2.1.204 no macOS, 2026-08-09.” Um cliente, uma versão, um sistema operacional, uma data. Outros clientes MCP podem continuar carregando todos os schemas de forma ansiosa na abertura da sessão. Nada nesse estudo diz o contrário, e nada nele autoriza a afirmação geral de que clientes MCP adiam definições de ferramenta.

O teste de startup, e o que ele prova e o que não prova

Sumi rodou o menor experimento possível. Uma sessão trivial de um turno em um repositório vazio. Somar os tokens de prompt. Conectar o servidor de filesystem. Rodar de novo. Somar de novo.

“Os totais foram os mesmos dentro da variação entre execuções: cerca de 25.300 nos dois casos.”

Leia esse número pelo que ele é. É um total de tokens de prompt de startup, para uma sessão de um turno em um repositório vazio, que é a sessão menos interessante que alguém vai rodar na vida. Ele diz muito pouco sobre o custo das sessões do seu time. Um repositório real tem arquivos, instruções, contexto de projeto e uma conversa em andamento. Os 25.300 existem para responder uma pergunta estreita, que é se conectar um servidor mexe no número de startup, e a resposta naquele cliente e naquele dia foi não.

Essa é a parte do nosso texto de abril que não sobrevive. Dissemos que os schemas já estavam na janela antes do primeiro prompt. Nesse cliente, nessa versão, eles não estão.

Os 30x são a dispersão entre servidores, não um multiplicador do MCP

O mesmo estudo relata que “o peso das definições de ferramenta varia mais de 30x entre servidores populares”. O resumo do TLDR convida a ler isso como prova de que MCP é caro. O próprio Sumi rejeita essa leitura: nenhum dos números sustenta “MCP custa 30x mais” como lei geral.

Os 30x são uma dispersão. Comparam o peso das definições de ferramenta de um servidor com o de outro. Silenciam sobre o custo de usar MCP frente a dispensá-lo.

E a dispersão vale o estudo inteiro. Os números de Sumi são estimativas dele, feitas a cerca de quatro caracteres por token, e explicitamente não são contagens exatas de tokenizer:

ServidorFerramentasTokens estimados
Notion24~19.050
Firecrawl27~9.870
Supabase29~4.990
Playwright24~4.630
GitHub26~3.960
Filesystem14~3.240
Memory9~2.690
Context72~1.215
Puppeteer7~610

O texto bruto dos schemas do Notion soma 76.215 caracteres em 24 ferramentas. O do Playwright soma 18.502 no mesmo número de ferramentas. Nas palavras de Sumi, “as 24 ferramentas do Notion pesam quatro vezes as 24 do Playwright”.

Contagem de ferramentas é uma unidade ruim de custo. Dois servidores com 24 ferramentas cada diferem em 4x. Dois servidores com 29 e 27 ferramentas diferem em cerca de metade. Qualquer orçamento construído em cima de “quantos servidores estão conectados” estava medindo a coisa errada, e já media a coisa errada antes de o carregamento adiado mudar onde a conta cai.

Carregamento adiado muda o momento da conta. Não a cancela.

Se os schemas chegam quando uma ferramenta é chamada, os tokens continuam chegando. Chegam mais tarde, dentro da sessão, misturados a uma janela de contexto que já carrega histórico de conversa e conteúdo de arquivos. Argumentamos em a janela de contexto é um orçamento, não um balde que o momento caro é aquele em que sobra menos espaço. O carregamento adiado coloca o custo do schema exatamente nesse momento.

Isso reformula a pergunta de governança. Nesse cliente, “quantos servidores estão conectados no startup” deixou de aparecer no número de startup, então deixou de servir como aproximação de qualquer coisa. O que continua mensurável é quais ferramentas são de fato chamadas, quanto pesam essas ferramentas específicas e em que ponto de uma sessão longa elas caem.

Com carregamento ansioso, um servidor pesado que você nunca invoca é um custo fixo e visível, pago uma vez. Com carregamento adiado, o mesmo servidor é gratuito até um agente decidir chamá-lo, tarde numa sessão longa, com a janela quase cheia. O segundo modo de falha é mais difícil de enxergar e mais difícil de atribuir a alguém.

Nossa análise da economia de computer use frente ao MCP fez um argumento com o mesmo formato por outro caminho. Custos por chamada que parecem irrelevantes na fronteira se acumulam dentro da sessão. Esta medição é a versão desse problema aplicada às definições de ferramenta.

O problema dos servidores arquivados continua intacto

O outro achado de Sumi trata de outra coisa, sem relação com tokens. Seis dos servidores MCP mais recomendados estão arquivados no repositório de origem. O servidor do GitHub, arquivado, registra cerca de 125.000 downloads por semana.

Uma dependência sem manutenção segue sem manutenção com carregamento adiado. Torna mais barato deixá-la conectada, o que é pior. Um servidor que não custa nada no startup não sofre pressão de orçamento pedindo sua remoção, e aquilo que você para de notar é aquilo que você para de revisar.

Faça isto agora

Abra uma sessão em um repositório real, em vez de um vazio, e rode /context. Essa é a regra operacional de Sumi e é a correta, porque ela mostra o que o seu cliente está de fato fazendo, em vez do que um artigo de blog diz que ele faz. No Claude Code, uma configuração de carregamento ansioso mostraria os schemas ocupando a janela no turno zero. Se ele adia, você não vai ver, e a investigação passa a ser sobre o que acontece no meio da sessão.

Depois rode /mcp e desligue todo servidor que você não está usando deliberadamente. Confira cada um dos que ficaram contra o repositório de origem, procurando o aviso de arquivamento. As duas são rápidas, e a segunda é a checagem que nenhuma medição de tokens vai fazer por você.

Vamos manter o texto de abril publicado, com um link para este. O argumento de governança da superfície de ferramentas continua de pé. A afirmação específica sobre o custo chegar antes do primeiro prompt não se sustenta no Claude Code 2.1.204, e uma correção silenciosa não é correção.


Fontes

A Victorino ajuda times de engenharia a medir e governar a superfície de ferramentas que seus agentes realmente usam: contato@victorino.com.br | www.victorino.com.br

Todos os artigos do The Thinking Wire são escritos com o auxílio do modelo LLM Opus da Anthropic. Cada publicação passa por pesquisa multi-agente para verificar fatos e identificar contradições, seguida de revisão e aprovação humana antes da publicação. Se você encontrar alguma informação imprecisa ou deseja entrar em contato com o editorial, escreva para editorial@victorino.com.br . Sobre o The Thinking Wire →

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